O bem arrumado…

Aqui estou eu de novo comentando, com um viés diferente, um post já publicado deste blog. Primeiro mostrei a matéria publicada com o Wagner Moura sobre Hamlet, que a Daniela já havia falado. Agora estou aqui para escrever do estilo de Marco Nanini na peça “O Bem Amado”, texto escrito pela Priscila tempos atrás.

Que figurino fantástico e criativo. Não existe a possibilidade de sair do teatro Cultura Artística, onde a peça está sendo encenada, sem reparar em cada detalhe das roupas utilizadas pelo ator. Simplesmente demais!

Os sapatos são o ponto forte do figurino. Sempre com salto e muito brilho; um show! Mas isso não significa que os ternos de Nanini na apresentação deixam a desejar. Pelo contrário. Sempre com um toque diferente, eles ajudam imensamente no desenrolar da história.

Aliás, fazendo um adendo, o cenário é outro fator que trás muita singularidade a peça e prende o espectador atento a tudo o que se passa no palco.

Uma ótima recomendação para aqueles que buscam o que fazer no final de semana…

Não lembra quando, onde está pasando a peça? Pois aí vai o aquele resuminho super útil para que possa dar uma conferida:

“O Bem Amado”
Teatro Cultura Artística, sala Esther Mesquita
R. Nestor Pestana, 196, Consolação – tel. 11/3258-3595.
Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 18h. Até 27/7.
Valores: R$ 25 a R$ 100.

Lygia Haydée

Afinal, o que é revolução?

Retomando as reportagens sobre 1968 não podíamos deixar de falar sobre o espetáculo Roda Viva, que marcou aquele ano.

 

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Escrita por Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa, em 1968, a peça Roda-Viva marcou o teatro brasileiro ao mexer com a platéia, provocá-la e escancarar os problemas da época. Apesar de alguns julgarem o texto “ingênuo”, a peça ficou conhecida como parte do “teatro de agressão”, muito criticado na época, mas que não deixava de lotar as apresentações. Durante a temporada de São Paulo, o teatro foi invadido, destruído e os atores sofreram agressões.

Em entrevista exclusiva, a atriz Margarida Baird, que fazia parte do coro, fala sobre a peça, a invasão do Teatro Ruth Escobar e as marcas deixadas por aquele momento.

Como surgiu a oportunidade para participar de Roda Viva?Margarida Baird - Eu sou carioca, na época namorava o Antonio Pedro e já fazia teatro. Antes de a peça vir pra cá eu já entrei no elenco para vir com ele. Na época eu usava o nome de Margot.

Você imaginava que a repercussão seria tão forte?

MB - Não tinha idéia. A gente sabia que estava fazendo alguma coisa muito diferente. Mas não tinha idéia da repercussão.

Diferente como?

MB - Por ser uma peça que mexia com a platéia. Não era uma coisa muito comum sacudir as pessoas, era uma coisa muito, digamos, revolucionária. O próprio Zé Celso depois dirigiu Galileu e ele achou que tava indo pra trás, que tava fazendo um teatro mais comportado.

E o que você achou da direção do Zé Celso em Roda Viva?

MB - Era um trabalho lindíssimo, fortíssimo, extremamente jovem, intenso. E realmente mexia, ele tava fazendo uma revolução na linguagem teatral. Tanto que uma vez em Paris eu encontrei uma atriz que era professora de teatro e ela disse que o melhor diretor de teatro era o Zé Celso que se mantinha vivo, mais do que Peter Brooke. Interessante, não é?!

Como costumava ser a reação da platéia durante o espetáculo?

MB - Era muito forte, tanto que teve a reação que teve [invasão e destruição do teatro pelo Comando de Caça aos Comunistas]. As pessoas ficavam chocadas, mas ao mesmo tempo elas gostavam dessa mexida, até por que era um sucesso extraordinário o espetáculo.

O que aconteceu no dia em que o teatro foi invadido?

MB - Foi um espetáculo lotado como sempre. Mas o Antonio Pedro, que fazia o anjo e o empresário, percebeu que não havia uma reação muito grande às piadas, o público normalmente reagia bem e nesse dia foi uma reação mais contida. E foi uma coisa muito rápida por que a gente mal saiu de cena já começou toda a quebradeira. Foi surpreendente e mal deu tempo da gente trocar de roupa. Foi rapidíssimo, pois eles estavam muito bem organizados, como a direita costuma estar sempre. Então, uma parte foi para os camarins e a outra parte quebrou o teatro.

Você notou algo diferente durante o espetáculo?

MB - Do público eu não notei tanta diferença, mas eles estavam na platéia e declararam isso. Mas depois o negócio foi bravo.  A gente ouviu um barulhão e achamos que estava havendo alguma coisa. O que me passou pela cabeça foi que como todos os rapazes ficavam juntos no camarim, parecia que todos estavam brigando. Então nós saímos dos nossos camarins para ver o que estava havendo, com as roupas de cena. E aí pronto, o caos estava instalado. Era muita gente, a pessoa que tirou a minha roupa e me agrediu era muito novo, devia ter minha idade ou menos.

 

Durante a confusão houve alguma distinção entre homens e mulheres?

MB - Sim. Fizeram todos os homens saírem do camarim e do teatro e nós, mulheres, eles atacaram mesmo. Eles quebraram tudo, machucaram as pessoas e foram embora. Foi rapidíssimo, mas parecia que tinha durado a vida inteira.

Você teve algum ferimento mais grave ou alguma seqüela?

MB - Não, físico, não. Eu fiquei sem roupa no meio do corredor, a minha calcinha estava estraçalhada quando eu a encontrei no meio dos destroços e eles apertaram o meu seio dizendo: “Isso é que é revolução! Isso é que é revolução!”.

Vocês receberam alguma justificativa após o ataque?

MB - Eles mesmos puseram no jornal que era uma reação à peça e se identificaram como o CCC [Comando de Caça aos Comunistas] e justificaram a invasão em cima disso.

Como você ficou depois disso tudo?

MB - Sofri horrores, morria de medo. Tinha muito medo de sair na rua, de chegar em casa. Eu tinha muito medo, fiquei apavorada.

Qual foi a reação da sua família?

MB - Eu morava no Rio, e minha família estava lá. Foi só aquilo: “Viu só, fica fazendo essas coisas, viu no que dá?” Mas eu era de esquerda, sim, como toda juventude pensante.

Como você definiria o clima cultural de 68?

MB - Era um clima extremamente fértil, que tinha muita esperança de que tava mudando o mundo. A gente achava que o que a gente estava fazendo estava realmente contribuindo para que o ser humano fosse um pouco melhor. Mas infelizmente não foi o que aconteceu.

Ainda existe esta fertilidade hoje?

MB - Eu acho que atualmente as pessoas estão preocupadíssimas em ganhar dinheiro, em consumir. Não existem mais utopias, a cultura está muito pobre, está tudo muito triste.

Para você, qual é a lembrança mais marcante da invasão do teatro?

MB - Para mim são várias, mas essa coisa de me atirarem no corredor, apertarem meu seio e dizerem que aquilo que era revolução, me chocou bastante. E ainda por ele [o agressor] ser muito jovem.

 Priscila Zuini

 

 

 

 

 

Publicado em: on Junho 20, 2008 at 11:10 pm Deixe um comentário

Morre o Visconde de Sabugosa

Visconde

O lendário personagem de Monteiro Lobato, o Visconde de Sabugosa, vai deixar saudades. Mas mais ainda vai deixar o ator André Valli. Ele morreu hoje, aos 62 anos, vítima de um câncer de fígado.

Conhecido por Visconde, do Sítio do Pica-Pau Amarelo, o ator também foi muito prestigiado no teatro. Atuou com grandes atores da dramaturgia como Marília Pêra e Tônia Carrero, nas peças “Toda Nudez Será Castigada” e  “A Visita da Velha Senhora”, respectivamente.

O ator era um grande fã de Nelson Rodrigues. Mas, um de seus grandes sonhos era interpretar Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Há dois meses o ator havia feito uma leitura dramática da obra. Mas por causa da doença, não teve como encená-la.

André Valli também participou de várias novelas, como Senhora do Destino e Laços de Família.

O corpo do ator foi velado hoje no Rio de Janeiro. Ele será enterrado amanhã no Recife, a sua terra natal.

Daniela Rosolen

As expectativas para Hamlet

Como a peça de Wagner Moura, Hamlet, está dando o que falar – como você leu no post anterior – escrevo mais um postizinho no blog para falar um pouco mais sobre esse teatro…
Olha o que o ator falou sobre a sua expectativa durante a coletiva de imprensa da peça!

Hamlet: Wagner Moura quer espectadores de Tropa

Agora só resta saber como será a atuação de Wagner em Hamlet. Será com um toque de Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, ou de Olavo, da novela global Paraíso Tropical?

Lygia Haydée

Publicado em: on at 12:26 am Deixe um comentário

De Capitão Nascimento a Hamlet

Capitão

Talvez seja difícil de imaginar tamanha transformação. Mas Wagner Moura que interpretou o violento Capitão Nascimento, no filme Tropa de Elite, agora vai entrar na pele de um dos mais consagrados personagens de Shakespeare, Hamlet. A peça começa a ser encenada nessa sexta-feira, dia 20.
O projeto é antigo e está sob a chefia do diretor Aderbal Freire Filho.
Agora, Wagner Mora que se prepare, porque com certeza o público vai querer conferir essa transformação. Ou o ator é bom ou vai ter que pedir pra sair, porque ninguém quer saber de um Hamlet fanfarrão !!!

De 20/06 a 28/09 – Sex, Sab e Dom
Horário: sex e sab, às 20h; dom, às 18h
Preço: R$80,00 – $$$$
Teatro FAAP
R. Alagoas – 903
Pacaembu
Fone: 3662-7233

Daniela Rosolen

Publicado em: on Junho 19, 2008 at 1:11 am Deixe um comentário
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A Sepente

A Serpente
Quem gosta de Nelson Rodrigues vai adorar a montagem da peça “A Serpente” com direção de Yara de Novaes.
A trama conta a história das irmãs Lígia e Guida. Elas vivem uma relação de profundo afeto. Tanto que chegam a se casar no mesmo dia e passam a morar no mesmo apartamento com os maridos. Mas um ano depois da lua-de-mel, Guida começa a ter problemas com o marido, que a abandona. A mulher desesperada, então, decide morrer. Para ajudar a irmã, Lígia propõe que ela passe uma noite com o seu marido. E ai… está armada a confusão!
O interessante é que as atrizes que vivem as duas protagonistas são irmãs na vida real. Lígia é interpretada por Débora Falabella e Guida por Cyntia Falabella.
As duas atrizes tem uma conexão muito boa no palco e não deixam a desejar.

Para quem estiver curioso para saber o final dessa história:

De 30/05 a 20/07 – Sex, Sab e Dom
Horário: sex e sab, às 21h; dom, às 19h
Preço: R$20,00 e R$10,00 (meia)
Tuca – Teatro da Universidade Católica
R. Monte Alegre – 1.024
Perdizes
Fone: 3670-8455/3188-4156

Daniela Rosolen

Publicado em: on at 12:57 am Deixe um comentário

Relatos de um Nascimento

Pipa

Era uma vez…
Não pude entrevistar Zé Celso, grande personagem do ano de 1968. Mas mesmo sem conversar com ele diretamente em palavras, pude conhecê-lo melhor do que esperava. Simplesmente observando.
José Celso Martinez Corrêa é um homem de muitos partos. Primeiramente foi parido em 1937 pela mãe, em Araraquara, cidade do interior de São Paulo. O seu segundo nascimento, como ele mesmo diz, foi a sua primeira peça, Vento Forte Para um Papagaio Subir, de 1958. E depois do segundo nascimento, ele teve uma enxurrada de outros a cada peça que escrevia ou dirigia.
É possível abordar esse ator, diretor e produtor de diversas maneiras. Um nome ilustre em 1968, que enfrentou a ditadura para revelar a cultura inovadora, que quebrou tabus da sexualidade, teve o irmão morto por esse mesmo motivo, ajudou a fundar o movimento tropicalista e continuou caminhando, firme e forte, até os dias de hoje, 2008. Momento em que completa 70 anos e o teatro que criou com a ajuda dos amigos, o Oficina, completa bodas de ouro.
Tomei diversos nãos na cara, quando resolvi entrevistar essa figura polêmica. O seu secretário, Walter Peguini, dizia que ele estava muito ocupado procurando patrocinadores. Ele falou que o Teatro Oficina iria começar o ano do Jubileu sem um tostão no bolso. Bia Fonseca, a produtora de nosso personagem, só falava que ele estava muito ocupado. Eu, insistentemente, ainda ofereci entrevistá-lo no camarim, enquanto ele estivesse se preparando para a peça ou depois de atuar. Mas, Walter Peguini disse que era impossível. “O Zé não é uma máquina. Imagina, o homem tem 70 anos. Depois de atuar ele fica super cansado e não pode dar entrevistas”. Nisso se foram exatamente duas semanas. Até que tive a idéia de falar sobre o segundo nascimento de Zé Celso, a sua primeira peça e ainda por cima autobiográfica, que definiria o início de uma carreira expansiva, com o auge em 1968. Coincidentemente, a peça Vento Forte Para um papagaio Subir voltou em cartaz esse ano. E lá fui eu assistir a montagem e observar o que poderia abstrair de uma encenação. O problema, ou melhor, a solução, é que Zé Celso vive atuando o tempo inteiro. Ou seja, tudo aquilo que ele diria em uma entrevista, eu poderia captar em sua peça.

História

Digo, verdadeiramente, que foi uma das encenações mais tocantes que já vi. Os espectadores compravam os ingressos uma hora antes. Enquanto esperavam a hora do espetáculo podiam apreciar um vinho ou um bombom, que era vendido por uma das atrizes, vestida bizarramente em uma saia de bailarina pink e uma blusa preta comemorativa do Oficina. Ela tentava com a venda arrecadar dinheiro para o teatro. Chegou a hora de todos entrarem. Entre o recolhedor de ingressos e a entrada para os assentos do teatro-corredor, havia um pano em um formato bem singular. Ele queria sugerir a entrada ou a saída das pessoas em um útero. Era o nascimento o renascimento do qual Zé Celso tanto falava!
Todos assentados, começa a tocar uma música zen. Um telão no fundo do corredor mostra o casting da peça. Logo depois, a história de cada personagem é resumida em pequenas passagens. A história se passa na cidade fictícia de Nova Bandeirantes. João Ignácio Carvalho é um poeta. Um jovem que sonha em escrever, que crê em um mundo onírico. Está acostumado a ser chamado de poeta pelos moradores da cidade, e relegado a trabalhar em uma livraria, embora deteste o que faz. Ricardo Lupo é o melhor amigo de João Ignácio. Ele é um menino rico, que se veste à Marlon Brando. Lucinha é a namorada do protagonista. Ela pensa o que os pais pensam e quer que os outros pensem o que ela mesma não pensa. Maria das Dores é a irmã de João. Ela é uma enfermeira do hospital da cidade e conformada com a vida. A Mãe de João e Maria das Dores é uma velha doente, que vive preocupada se os filhos pegam ou não friagem e que de certa forma os prendem a cidade. Zé Celso participa como um fantasma na peça, ele ao mesmo tempo que é João, é só um espectro do que ele deseja ser e vai soltando sutis comentários no decorrer da história.

Análise:

Não vou contar todos os detalhes da peça. É melhor que cada um a veja e faça o seu julgamento. Mas, como vou falar sobre esse segundo nascimento de Zé Celso, que lhe daria as bases para a ascensão em 1968, preciso contar as partes que me fizeram entender a complexidade dessa pessoa.
Há uma cena em que o personagem mostra claramente a vontade que tem de se libertar. João Ignácio conta que quando menino tinha um papagaio admirado por todos, o Imperador, e que adorava empinar. Mas enquanto a pipa estava lá no ar, quanto mais ele o prendia entre as linhas, mais tinha vontade de soltá-lo, deixar que ele fosse encontrar o céu. Essa parte reflete a angústia do personagem e do próprio Zé Celso de querer se libertar e sair da cidade que não comporta os seus sonhos.
Em outro fragmento há um temporal que devasta a cidade. Enquanto milhares de moços ajudam a salvar os que tiveram suas casas destruídas e se afogavam no rio, João que gostaria de ir a luta, teve de ouvir do dono da livraria que ele não se metesse na confusão. “Você é poeta e o lugar dos poetas é aqui entre as estantes e os livros“. Essa cena mostra como o personagem sente-se incompreendido nos seus gostos, em ser quem realmente é. De repente, uma vontade sádica se apossa dele, que deseja que a cidade seja destruída pelo temporal.

Yes, participação:

Como todas as peças de Zé Celso tendem a serem participativas, há uma cena em que o personagem relembra os professores e os amigos da época em que era menino. Uma hora ele lembra da professora preferida e uma pessoa da platéia é escolhida para interpretar o papel. De repente em outra, ele lembra da melhor aluna da classe. E eis que, sou chamada a representar a tal colega estudiosa. Isso cria nos espectadores uma maior relação com a história. Zé Celso sempre quis causar esse impacto e interatividade em suas peças. Em uma hora se é mero espectador em outra você é o centro das atenções e todos se voltam para te contemplar.
Em outra cena faço mais uma pequena participação. Os atores distribuem livros de poemas entre a platéia. Todos se entreolham e pensam o que devem fazer. Como em uma torre de babel, juntos resolvem ler os poemas em mãos e a balbúrdia se estabelece de uma forma organizada. Zé me vê lendo Cecília Meirelles e me leva para o corredor, assim como faz com outros, para que juntos oremos a literatura poética. Uma cena que reflete tão singelamente do que a peça é feita. De pequenos pedaços de pessoas, poemas, letras e escritores. Enfim, de todas as pessoas que passaram naquele instante pela vida de Zé Celso e que de certa forma contribuíram para ele ser o que é hoje.
Diferentemente da malícia que Zé Celso tem atualmente, sua primeira peça vem recheada de delicadezas. Um momento marcante é quando João tem uma relação sexual com sua namorada. Entre as pernas de Lúcia é colocado um buquê de rosas que João começa a despetalar ferozmente. Quem diria que o Zé Celso que hoje fica nu e se masturba diante de uma platéia de 350 pessoas poderia pensar o ato sexual de forma tão romântica.
Na última passagem marcante, João, a namorada, o amigo Ricardo e a irmã deixam Nova Bandeirantes, assim como Zé Celso deixou Araraquara para explodir pelo mundo seus pensamentos avançados, sua cultura alucinógena e suas alusões invejadas. A Mãe repreenssora em um ataque de fúria por perder quem amava e controlava entra em chamas, em um espetáculo pirofágico. A peça termina singelamente com uma chuva de papagaios, que os espectadores levam felizes de volta para a casa.

Minha atuação:

Mas para mim a peça não terminou naquele momento. Depois de todos atravessarem o útero e renascerem para o mundo real, eu percebo que estou sem meu companheiro, meu namorado que junto comigo foi assistir a peça. Zé Celso o havia levado para dentro do Oficina depois que as portas se fecharam e todos os espectadores foram embora. Fiquei preocupada. Depois de uns dez minutos, meu namorado chega. Não tão assustado quanto eu previa. Zé Celso o havia convidado para tomarem um vinho juntos e quem sabe estender a noitada. Ele recusou! Zé Celso, mesmo assim, agradeceu. Meu namorado retribuiu o agradecimento e em troca recebeu um apertado abraço.
Zé Celso realmente não pode ser resumido em uma pessoa, em um diretor ou ator. Ele é um mistério. Uma pessoa que apanhou dos militares, que se exilou, que quis ser incompreendido e que mesmo assim fez e faz sucesso.

Daniela Rosolen

Publicado em: on at 12:31 am Comentários (1)
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A revolução da teledramaturgia brasileira debaixo de censura

novela           

          1968 não foi um ano relevante apenas para a história do país e do mundo. Essa data também tem grande importância para a linha histórica da teledramaturgia brasileira, afinal foi nesse ano que a novela Beto Rockfeller teve o seu ponta pé inicial. Escrita por Bráulio Pedroso, e posteriormente por Eloy Araújo e por Ilo Bandeira, a trama é considerada atualmente um divisor de águas da dramaturgia, pois, em 40 anos de novelas diárias no Brasil, essa novela é uma das que mais marcou a produção nacional. Exibida pela TV Tupi a partir de novembro, o folhetim teve que ser confeccionado com baixos custos, já que a emissora passava por uma crise financeira. Assim, a melhor forma de viabilizar a produção era fazendo cenários e vestuários mais acessíveis, caracterizando assim as roupas comuns da época, o que também era considerado uma inovação naquele tempo.

         Em um cenário tomado pela ditadura militar e pela opressão política e ideológica, Pedroso precisou recorrer ao cotidiano urbano paulistano para elaborar aquele que seria considerado um de seus textos mais primorosos. Dessa forma, deu um toque coloquial aos diálogos da novela, e conseguiu fazer com que sua trama fosse aprovada pelos militares que governavam o Brasil, como comenta a professora da Universidade Federal da Bahia e especialista em teledramaturgia, Carmem Jacob. “Esse é um critério adotado pelos criadores e depende da avaliação que fazem do contexto político”. Além disso, o autor utilizou em sua composição um anti-herói que, como lembra Mauro Alencar em seu livro A Hollywood brasileira – Panorama da telenovela no Brasil, “não era um herói nem vilão, apenas um homem comum que tentava penetrar na alta sociedade paulistana”.

         Aliás, Luiz Gustavo Blanco, o intérprete desse protagonista esperto e cheio de ginga, comentou em entrevista ao Portal Terra a dificuldade de interpretar esse personagem em pleno contexto histórico da época. “Naquele momento, era uma ousadia um personagem como este”. E ainda foi complementado por Marília Pêra, que no folhetim interpretava Manuela. “Estávamos no auge da ditadura, era a hora de quebrar barreiras. A obrigatoriedade do herói bonzinho era uma imposição que caiu por terra”. Vale salientar, inclusive, que o próprio título da trama, Beto Rockfeller, demonstra esse espírito revolucionário que o folhetim pretendia trazer para o dia-a-dia dos telespectadores. O nome Beto foi escolhido por ser um apelido bem brasileiro; já Rockfeller queria representar o sobrenome de uma das maiores fortunas internacional encontradas no país naquele período.

          Seu toque inovador pode ser resultado da escolha do autor da trama, já que Pedroso revelou em entrevista a Alencar que jamais havia assistido à uma novela inteira antes de ser convidado para escrever tal folhetim. “Talvez por isso ele tenha conseguido criar algo tão fora dos padrões da televisão da época, inspirado em seu trabalho no teatro”, argumentou o escritor. E essas novidades não ficaram só por conta dos personagens e da trama que o novelista desenvolveu com maestria, a inclusão de músicas populares nacionais e internacionais na trilha sonora do folhetim também contribuíram para que Beto Rockfeller propiciasse uma verdadeira revolução no modo de pensar e de fazer a teledramaturgia brasileira. “Ela influenciou o modo de pensar novela no Brasil, mas influenciou principalmente no modo de criar e comercializar telenovelas. Foi mais um símbolo importante para uma mudança em curso no modo de se fazer telenovela”, assegurou a professora Carmem Jacob.

         E por causa da sua forma inusitada de mostrar a realidade daqueles tempos, a produção, além de virar febre nacional, também fez com que o folhetim fosse destaque dos principais veículos do país, como recorda Luiz Gustavo Blanco. “Fomos parar nas colunas sociais e políticas. Íamos presos a cada duas semanas por causa da censura. Fomos capa da Veja logo depois da estréia”. E não pára por aí. Ana Rosa Galego, a intérprete de Cida, contou que a censura também não perdoava algumas cenas que revolucionaram a teledramaturgia daquela época, como, por exemplo, a primeira cena de sexo dos folhetins. “A censura caiu em cima, mas foi tudo sutilmente dirigido. Tinha beijo, abraço, a câmera descia para os pés e só mostrava o vestido caindo”.

         Enfim, Beto Rockfeller, que teve direção de Lima Duarte e de Walter Avancini tornou-se assunto diário dos brasileiros, mostrando as artimanhas de um homem cara de pau e com muita desenvoltura para se comunicar. Assim, em plena ditadura militar, a novela pode ser desenvolvida e acabou virando símbolo de uma excelente produção que não marcou apenas aquele período histórico, mas fez também com que o modo de criar novelas fosse repensado a partir dali.

 

Lygia Haydée

 

 

Publicado em: on Maio 15, 2008 at 12:44 pm Comentários (1)
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Diavolo em São Paulo

Amanhã, dia 16, o grupo americano de dança Diavolo Dance Theater se apresentará em São Paulo pela primeira vez. 

A trupe mistura números circenses com passos tradicionais de dança e muita criatividade. A intenção do grupo, fundado em 1992 por Jacques Heim, era misturar atores, acrobatas e bailarinos no mesmo espetáculo.  

Diavolo Dance Theater

Via Funchal: Rua Funchal, 65 – Vl. Olímpia

Dia 16/5, às 21h30

Ingressos: de R$40 a R$150

Priscila Zuini

 

Publicado em: on at 12:37 pm Deixe um comentário

Atendendo a pedidos…

Segue uma dica para o fim de semana:

 

sen

A peça Senhora dos Afogados está com uma montagem ótima no Teatro Anchieta/Sesc Consolação. A peça de Nelson Rodrigues tem direção de Antunes Filho e encenação do CPT e do grupo Macunaíma. Vale a pena conferir! Em cartaz até 27/7.

Teatro Anchieta/Sesc Consolação

r. Dr. Vila Nova, 245, tel.: 3234-3000 

Sextas e Sabádos, às 21h  e Domingo, às 19h.

Ingressos: De R$5 a R$20

Priscila Zuini