Olhar Artístico

Mesmo fora do palco, o artista continua exercendo seu trabalho. Ele observa um jeito de andar, repara em um tique e, assim, constrói seu personagem…

 

Anna Carolina Oliveira

Publicado em: on Setembro 24, 2008 at 1:17 pm Comentários (0)
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As Bettys do Mundo

ColômbiaCerto, o nosso blog é sobre teatro, mas também falamos um pouco sobre telenovela vez por outra. Então… Aí vai uma curiosidade.
 
Eu estava fazendo uma pesquisa sobre o famoso melodrama A Feia Mais Bela - versão mexicana da novela colombiana Betty, A Feia - quando achei um artigo no jornal El País sobre o sucesso dessa produção. E não estranhe a palavra sucesso não, porque ela está corretamente aplicada ao produto da Televisa. Quer provas?
 
Bem, além de exportada para o Brasil e ser transmitida pelo SBT, A Feia Mais Bela foi reproduzida por outros países que fizeram sua própria versão da história sobre uma moça fora dos padrões convencionais de beleza, mas que é muito inteligente e que no final passa por uma transformação, indo de patinho feio para cisne. Estados Unidos, Alemanha, Holanda, India e Grécia foram alguns dos que compraram os direitos da telenovela mexicana e que criaram a sua ”feia mais bela” personalizada.
 
Agora, aposto que você está curioso para saber como é a protagonista do melodrama nos outros países, certo? Então, confira abaixo a versão de cada lugar:

 MÉXICO

Espanha

 

 EUA

ALEMANHA

RUSSIA

TURQUIA

 

 

 

 

 

INDIA

HOLANDA

GRECIA

 

 

 

 

 

 

*da esquerda para direita o nome dos países são: México, Espanha, EUA, Alemanha, Rússia, Turquia, India, Holanda e Grécia

Anna Carolina Oliveira

Publicado em: on Junho 26, 2008 at 1:04 am Comentários (1)
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Trajetória do Arena e do Oficina até 68

Turning-point é a expressão utilizada no teatro para designar o momento em que tudo muda na narração. É a ação dramática que interfere no ritmo da história e, depois desse momento de clímax, nem os personagens nem a situação é a mesma.

No entanto, não só as peças teatrais são marcadas por turning-points. Ao longo da história do Teatro de Arena e do Oficina tiveram muitos pontos altos e o ano de 1968 certamente foi um deles.

Depois de decretado o AI-5 houve transformações em cada um dos movimentos. Os dois palcos lidaram com a situação de maneiras distintas e, por isso, acabaram tomando rumos opostos. Contudo para entender este turning-point e, assim, acompanhar o desenrolar da história, primeiro precisa-se conhecer o princípio de tudo, o 1º Ato.

 

Retrospectiva

 

Em 1953, em solo paulistano, nasce o Teatro de Arena. Segundo a professora da USP de Teatro Brasileiro, Elizabeth Azevedo, o objetivo inicial do movimento era encenar textos clássicos para o público estudantil, valorizando produções e artistas do país. Ou seja, o engajamento político não estava nas raízes do Arena.

Cinco anos depois, mas com o mesmo intuito, surge o Teatro Oficina. Criado por iniciativa de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e com José Celso Martinez Corrêa como seu principal representante. “O Oficina também pretendia revelar autores brasileiros”, explica Elizabeth. A origem dos dois teatros foi, então, parecida.

Além dos primeiros passos serem semelhantes, a professora ainda conta que os dois tiveram outros pontos em comum. Em 1960, por exemplo, o Arena e o Oficina trabalharam juntos na produção da peça “Fogo Frio”, de Benedito Ruy Barbosa, sendo que a relação entre os dois teatros era quase sempre intermediada por Zé Celso, ponto de intersecção entre eles.

Com inícios parecidos e projetos feitos em parceria, era de se esperar que os dois teatros escrevessem histórias praticamente iguais, mas os anos 60 sopravam ares novos e, aí, a “narração” começou a caminhar para o seu momento de clímax.

 

A Virada

 

Em dezembro de 1968, é promulgado o AI-5. Agora, a censura é aberta e a represália se torna mais rígida. O que fazer, então? É exatamente sobre isso que o Teatro Arena e o Oficina não conseguem chegar a um acordo.

“Com a promulgação do AI-5 cada um dos teatros toma um rumo diferente, sendo que, por causa das posturas distintas, um começa a chamar o outro de ‘alienado’”, conta Elizabeth.

Enquanto o movimento iniciado por José Renato, diretor do Arena e responsável pela introdução do teatro de Brecht no país, adota uma posição de esquerda, o Teatro Oficina assume de vez sua ligação com a vanguarda, atitude de contestação que o movimento começou a incorporar pouco antes de 68. O problema é que nenhum dos dois compreendeu ou apoiou as medidas contra a censura tomadas pelo outro.

A professora da ECA esclarece que o ponto de ruptura entre o Arena e o Oficina foi o entendimento diferente de como se contesta a sociedade e enfrenta uma repressão política. Para o primeiro, o certo seria resistir à censura declaradamente nas produções teatrais ou ainda por meio de metáforas inseridas nos textos. Já o segundo buscava uma contestação da vida, dos costumes, dos valores morais e familiares da sociedade brasileira, acreditando que, assim, a população estaria preparada para resistir ao AI-5 e à ditadura, cuja ingerência na vida privada era grande (basta lembrar que o divórcio era proibido por lei).

Em poucas palavras Elizabeth esclarece que os dois teatros tinham um inimigo em comum, mas que a estratégia adotada por cada um deles foi diferente, o que gerou uma zona de conflito no palco paulistano. “O objetivo do Arena e do Oficina poderia ser igual, mas o caminho que cada um tomou foi diferente e foi sobre esse caminho que eles se desentenderam. No momento forte da ditadura os dois assumiram posições antagônicas.”

Aqueles que nasceram de maneiras similares e foram parecidos por tentarem trabalhar juntos, no final acabaram tomando rumos desiguais. Qual foi o turning-point? 1968.

 

Anna Carolina Oliveira

Publicado em: on Junho 25, 2008 at 1:20 pm Comentários (0)
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Frase da madrugada…

“Para mim, a vida é a miniatura do teatro. Ele a aumenta, a embeleza, a sublima. A vida cria o conflito: o teatro o resolve; e, nessa solução, a vida tem aumentado seu patrimônio moral. A vida está cheia de Ciranos, Hamlets e Otelos, mas, só depois da arte, os haver mostrado, é que o mundo começou a reparar neles.”

 

Procópio Ferreira (1898 – 1979)

 

Anna Oliveira

Publicado em: on Abril 20, 2008 at 3:42 am Comentários (0)
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Teatro ao alcance da mão

Foi sentada em uma cadeira dura em uma sala de aula de auto-escola que tive meu primeiro contato com um livro de peça de teatro. Até então era “novata” nesse tipo de leitura.

A obra era A Serpente, de Nelson Rodrigues, e logo de início me deparei com o seguinte diálogo: “Décio – Diz agora que és p***. Diz que eu quero ouvir. / Lígia (lenta) – Sou uma prostituta. / Décio (trincando as palavras) – Eu não disse prostituta. Eu quero p***. / Lígia (soluçando) – Vou dizer. Sou uma p***”. Choque. Primeiro porque houve aquele estranhamento com a disposição do texto – não estava acostumada com todas aquelas rubricas –, segundo porque não é sempre que dou de cara com um diálogo um tanto quanto violento já nas primeiras páginas.

Vou confessar: no começo foi um pouco difícil me acostumar com o estilo da escrita. Algumas vezes me pegava pensando “mas quem está dizendo isso mesmo?”, aí voltava e identificava o personagem no canto esquerdo da página. No entanto, após alguns tropeços, peguei o jeito da leitura e, então, ela deslanchou.

É interessante notar como, mesmo não estando dentro de um teatro sentada em uma daquelas poltronas acolchoadas e mirando direto para o palco, a sensação é bem parecida com a de fazer parte da platéia. As descrições contidas nas rubricas e as tantas falas dos personagens me fizeram andar – ou melhor, ler – no ritmo da história, me transportando para dentro dela.

Claro que imaginar-se nos locais descritos na história é um efeito natural em qualquer tipo de livro, mas não pensava que um “simples” roteiro poderia provocar o mesmo efeito que um romance de muitas páginas. Certamente o papel não substitui uma ida ao teatro, mas quando se está presa no trânsito de São Paulo ou mesmo confinada em uma aula de mecânica da auto-escola, por que não fazer o exercício de se imaginar em outro lugar e transportar-se para frente das cortinas vermelhas? Acho que vale a pena, afinal não faz sentido desperdiçar um teatro que está bem ali, ao alcance de nossas mãos.

 Anna Oliveira

 

Publicado em: on Abril 19, 2008 at 4:09 am Comentários (0)
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Teatro 1968 no Sesc

Como informamos no 1º post, em breve falaremos sobre o teatro em 1968. mas, enquanto isso, você pode se adiantar e conferir a programação cultural de Vida Louca-Vida Intensa: Uma Viagem pela Contracultura.

 

No Sesc Pompéia até o dia 22 de junho, a mostra do curador Eduardo Beu é uma boa pedida para quem quer conferir diferentes apresentações de teatro e também de dança.

 

No dia 15, 16, 22 e 23 de maio, por exemplo, será apresentada às 20h “Noites Sujas: Hilda Hilst Noviciado da Paixão”, um espetáculo que traça um perfil tanto literário quanto pessoal da escritora, dramaturga e poetisa brasileira Hilda Hilst.

 

Quer saber o que mais você pode encontrar nessa “viagem” aos anos 60? Acesse www.sescsp.org.br e faça sua programação da semana!

 

 

Anna Oliveira

Publicado em: on Abril 17, 2008 at 5:48 pm Comentários (0)
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