Essa é para mim!

Não sei se os leitores desse blog (Adedanhas) já perceberam, mas além de teatro eu amo tudo que está associado à televisão. Por isso quando vi essa peça não resisti e vim contar para todos vocês!

O Teatro do Ator está com uma peça - A TV que você não Vê II - que deve ser simplesmente sensacional…

Um espetáculo que satiriza alguns programas de televisão e seus personagens. Imagina isso? Todos aqueles papéis marcantes da teledramaturgia - e que eu adoro - nos palcos.

Vou com toda a certeza… E depois volto aqui para contar se vale a pena, ok!?

Outras informações, clique aqui!

Lygia Haydée

 

Publicado em: on Junho 27, 2008 at 2:47 pm Comentários (0)
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As Bettys do Mundo

ColômbiaCerto, o nosso blog é sobre teatro, mas também falamos um pouco sobre telenovela vez por outra. Então… Aí vai uma curiosidade.
 
Eu estava fazendo uma pesquisa sobre o famoso melodrama A Feia Mais Bela - versão mexicana da novela colombiana Betty, A Feia - quando achei um artigo no jornal El País sobre o sucesso dessa produção. E não estranhe a palavra sucesso não, porque ela está corretamente aplicada ao produto da Televisa. Quer provas?
 
Bem, além de exportada para o Brasil e ser transmitida pelo SBT, A Feia Mais Bela foi reproduzida por outros países que fizeram sua própria versão da história sobre uma moça fora dos padrões convencionais de beleza, mas que é muito inteligente e que no final passa por uma transformação, indo de patinho feio para cisne. Estados Unidos, Alemanha, Holanda, India e Grécia foram alguns dos que compraram os direitos da telenovela mexicana e que criaram a sua ”feia mais bela” personalizada.
 
Agora, aposto que você está curioso para saber como é a protagonista do melodrama nos outros países, certo? Então, confira abaixo a versão de cada lugar:

 MÉXICO

Espanha

 

 EUA

ALEMANHA

RUSSIA

TURQUIA

 

 

 

 

 

INDIA

HOLANDA

GRECIA

 

 

 

 

 

 

*da esquerda para direita o nome dos países são: México, Espanha, EUA, Alemanha, Rússia, Turquia, India, Holanda e Grécia

Anna Carolina Oliveira

Publicado em: on Junho 26, 2008 at 1:04 am Comentários (1)
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E no teatro tem comédia? Tem sim senhor!

Lembra de Marcelo Médici, aquele que participou durante um bom tempo do programa “A Parça é Nossa”, do SBT, e fez as novelas globais “Belíssima” e “Sete Pecados”? Pois bem, agora quem quiser poderá vê-lo atuando assim bem de pertinho. Tudo porque o intéprete está com a peça “Cada um com seus Pobrema” em São Paulo. O espetáculo está em cartaz no teatro Teatro Frei Caneca até o dia 3 de agosto.

O site oficial da peça tem todos os detalhes para aqueles que querem vê-lo nos palcos… 

Lygia Haydée

Publicado em: on Junho 25, 2008 at 7:33 pm Comentários (0)
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Espanha no Brasil

 

Quem gosta de dança, artes plásticas e música vai adorar a novidade que está no Centro Cultural São Paulo desde a última terça-feira, dia 24. O motivo? A mostra “Diálogos Cênicos Brasil-Espanha”, que tem como proposta apresentar grupos teatrais “híbridos”, terá apresentações gratuitas de quatro grupos espanhóis e quatro brasileiros até domingo.

Confira toda a programação:

PEÇAS
Dia 24, às 21h - Sala Jardel Filho
“Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mário Quintana”
Companhia de Solos & Bem Acompanhados (Brasil)
A atriz Deborah Finocchiaro interpreta e canta textos e poemas de Mario Quintana (1906-1994), utilizando imagens criadas pela artista plástica Zoravia Bettiol

Dias 25 e 26, às 19h e às 20h - Foyer e Espaço de Convivência
“Menudo Tremendo”
Cia. Txo Titelles (Espanha)
Espetáculo de bonecos com um cantor de rua que entretém o público cantando sobre temas atuais

Dia 25, às 21h - Sala Jardel Filho
“EGO-tik”
Asier Zabaleta (Espanha)
O bailarino e coreógrafo basco Asier Zabaleta utiliza a dança e o audiovisual, com vídeos de Iker Urteaga, para fazer um estudo sobre sua própria personalidade

Dia 26, às 21h - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
“Hagoromo, o Manto de Plumas”
De Fabio Mazzoni e Emilie Sugai (Brasil)
Atribuído a Motokio Zeami (1363-1443), o poema “Hagoromo, o Manto de Plumas” foi coreografado pela bailarina Emilie Sugai, que sob a direção de Fabio Mazzon apresenta a história do pescador de coração duro e o anjo que volta à Terra para recuperar Hagoromo, o manto divino sem o qual não pode retornar ao céu

Dias 26, 27 e 28, às 19h* - Jardim Suspenso
“Falso Espetáculo”
Cia. Vazia (Brasil)
Misturando teatro, dança e performance (além de uma participação em vídeo de Sheila Mello), o grupo propõe um questionamento à idéia do espetáculo e dos estereótipos artísticos

Dias 27 e 28, às 20h e às 21h - Jardim Interno
“Re9n (Renueven)”
De Nartxi Azkargorta (Espanha)
Espetáculo de marionetes que mistura música ao vivo e gravada e investiga novas técnicas de manipulação

Dia 27, às 21h - Sala Jardel Filho
“Delírios de Grandeza”
De David Espinosa (Espanha)
Em sete ações diferentes, o ator procura aparecer aos olhos do espectador como estrela de Hollywood, campeão mundial de futebol, super herói, sex symbol, rockstar, personagem histórico e poeta suicida, utilizando apenas um computador portátil, uma mochila de roupas e o próprio corpo

Dia 28, às 21h - Sala Jardel Filho
“f.r.a.n.z.p.e.t.e.r”
De Sergi Fäustino (Espanha)
O espetáculo mostra um “concerto-debate” em que se discute a vida do compositor Franz Schubert, apresentando uma seleção de seus sucessos

Dia 29, às 20h - Sala Jardel Filho
“O Processo”
De Sandro Borelli (Brasil)
O diretor Sandro Borelli aproveita o duelo entre opressor e oprimido da obra de Franz Kafka para construir um espetáculo de “teatro coreográfico”

DEBATES
Dia 25, às 16h - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
“Linguagens Híbridas”
O crítico hispano-chileno José Henríquez e a doutora em comunicação e semiótica brasileira Christine Greiner discutirão tendências das artes cênicas contemporâneas, com mediação de Sebastião Milaré

Dia 29, às 11h30 - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
“Diálogos Cênicos Brasil-Espanha: linguagens híbridas”
Representantes dos grupos avaliando as tendências estéticas apresentadas na Mostra

DEMONSTRAÇÕES
Participantes do evento demonstram seus processos criativos e técnicas

Dia 25 - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
Cia. de Solos & Bem Acompanhados (11h)

Dia 26 - Sala Jardel Filho
Asier Zabaleta (10h) e Txo Titelles (11h30)

Dia 27 - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
Fábio Mazzoni e Emilie Sugai (10h) e Sandro Borelli (11h30)

Dia 28 - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
Davi Espinosa (10h) e Elisa Ohtake (11h30)

Dia 29 - Sala Paulo Emílio Salles Gomes
Sergi Faustino (10h)

Quer ver mais imagens da mostra? Clique aqui!

Lygia Haydée

Publicado em: on at 7:09 pm Comentários (0)
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Trajetória do Arena e do Oficina até 68

Turning-point é a expressão utilizada no teatro para designar o momento em que tudo muda na narração. É a ação dramática que interfere no ritmo da história e, depois desse momento de clímax, nem os personagens nem a situação é a mesma.

No entanto, não só as peças teatrais são marcadas por turning-points. Ao longo da história do Teatro de Arena e do Oficina tiveram muitos pontos altos e o ano de 1968 certamente foi um deles.

Depois de decretado o AI-5 houve transformações em cada um dos movimentos. Os dois palcos lidaram com a situação de maneiras distintas e, por isso, acabaram tomando rumos opostos. Contudo para entender este turning-point e, assim, acompanhar o desenrolar da história, primeiro precisa-se conhecer o princípio de tudo, o 1º Ato.

 

Retrospectiva

 

Em 1953, em solo paulistano, nasce o Teatro de Arena. Segundo a professora da USP de Teatro Brasileiro, Elizabeth Azevedo, o objetivo inicial do movimento era encenar textos clássicos para o público estudantil, valorizando produções e artistas do país. Ou seja, o engajamento político não estava nas raízes do Arena.

Cinco anos depois, mas com o mesmo intuito, surge o Teatro Oficina. Criado por iniciativa de estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e com José Celso Martinez Corrêa como seu principal representante. “O Oficina também pretendia revelar autores brasileiros”, explica Elizabeth. A origem dos dois teatros foi, então, parecida.

Além dos primeiros passos serem semelhantes, a professora ainda conta que os dois tiveram outros pontos em comum. Em 1960, por exemplo, o Arena e o Oficina trabalharam juntos na produção da peça “Fogo Frio”, de Benedito Ruy Barbosa, sendo que a relação entre os dois teatros era quase sempre intermediada por Zé Celso, ponto de intersecção entre eles.

Com inícios parecidos e projetos feitos em parceria, era de se esperar que os dois teatros escrevessem histórias praticamente iguais, mas os anos 60 sopravam ares novos e, aí, a “narração” começou a caminhar para o seu momento de clímax.

 

A Virada

 

Em dezembro de 1968, é promulgado o AI-5. Agora, a censura é aberta e a represália se torna mais rígida. O que fazer, então? É exatamente sobre isso que o Teatro Arena e o Oficina não conseguem chegar a um acordo.

“Com a promulgação do AI-5 cada um dos teatros toma um rumo diferente, sendo que, por causa das posturas distintas, um começa a chamar o outro de ‘alienado’”, conta Elizabeth.

Enquanto o movimento iniciado por José Renato, diretor do Arena e responsável pela introdução do teatro de Brecht no país, adota uma posição de esquerda, o Teatro Oficina assume de vez sua ligação com a vanguarda, atitude de contestação que o movimento começou a incorporar pouco antes de 68. O problema é que nenhum dos dois compreendeu ou apoiou as medidas contra a censura tomadas pelo outro.

A professora da ECA esclarece que o ponto de ruptura entre o Arena e o Oficina foi o entendimento diferente de como se contesta a sociedade e enfrenta uma repressão política. Para o primeiro, o certo seria resistir à censura declaradamente nas produções teatrais ou ainda por meio de metáforas inseridas nos textos. Já o segundo buscava uma contestação da vida, dos costumes, dos valores morais e familiares da sociedade brasileira, acreditando que, assim, a população estaria preparada para resistir ao AI-5 e à ditadura, cuja ingerência na vida privada era grande (basta lembrar que o divórcio era proibido por lei).

Em poucas palavras Elizabeth esclarece que os dois teatros tinham um inimigo em comum, mas que a estratégia adotada por cada um deles foi diferente, o que gerou uma zona de conflito no palco paulistano. “O objetivo do Arena e do Oficina poderia ser igual, mas o caminho que cada um tomou foi diferente e foi sobre esse caminho que eles se desentenderam. No momento forte da ditadura os dois assumiram posições antagônicas.”

Aqueles que nasceram de maneiras similares e foram parecidos por tentarem trabalhar juntos, no final acabaram tomando rumos desiguais. Qual foi o turning-point? 1968.

 

Anna Carolina Oliveira

Desejo…

Afinal, o que é desejo? QUem tem a resposta: o dicionário, a filosofia ou a psicanálise? Foi para entender isso que o ator e diretor Eduardo Santhiago resolveu montar a peça ‘Désir’.

A montagem aborda a vida de um casal socialmente reprimido e os três “desejos” que envolvem os dois. Confira a entrevista em vídeo de Santhiago à Folha.

“Désir”
Espaço dos Satyros Um, praça Roosevelt, 214,
São Paulo, tel.: 0/xx/11/3258 6345.
todas as quintas-feiras, às 21h, até o dia 26 de junho.
Ingressos: de R$5 a R$20.

Priscila Zuini

Publicado em: on Junho 24, 2008 at 8:46 pm Comentários (0)

Polêmica de Ronaldo vira peça de teatro

As artes tendem a imitar a vida real. A peça “A estrela sou eu” aproveitou a polêmica, que envolveu o jogador Ronaldo e mais três travestis para divertir o público GLS. O tema da montagem é o gay enrustido. A história do fenômeno entrou de última hora na trama junto com a participação da travesti envolvida no caso, Andréia Albertini. A sua personagem se chamará Márcia e vai contar casos semelhantes ao de Ronaldo, mas sem citar nomes! 

A peça estréia nessa quinta-feira, dia 26, em uma pizzaria voltada para o público GLS.

Quem quiser unir o útil ao agradável pode sair para jantar e de quebra dar muita risada.

Bill Pizza

R. da Consolação, 2.518

tel. 3257-6303 ou 9300-5074

ingressos R$10

Daniela Rosolen

 

Publicado em: on Junho 23, 2008 at 8:35 pm Comentários (0)

Hillary Clinton assiste à peça de brasileiro

A senadora Hillary Clinton ficou curiosa para ver o que que os brasileiros tem de especial. Ontem, ela decidiu assistir a peça do vencedor do prêmio Tony, o equivalente ao Oscar nos Estados Unidos. O brasileiro Paulo Szot, o vencedor,  é o protagonista do espetáculo “South Pacific” em cartaz na Broadway em Nova York.

Hillary ficou encantada com a peça e ao final da apresentação foi cumprimentar Szot. O ator se disse emocionado e afirmou que nada mudou na sua vida, após o prêmio.

Mas pressionado revela: o cachê teve um aumento de 500%, a bilheteria do espetáculço aumentou  e ele já recebeu uma cantada durante o espetáculo.

Quem quiser novidades sobre Paulo Szot vai ter que esperar ele revelar um novo segredo. O ator promete novidades em relação a Hollywood.

Daniela Rosolen

O bem arrumado…

Aqui estou eu de novo comentando, com um viés diferente, um post já publicado deste blog. Primeiro mostrei a matéria publicada com o Wagner Moura sobre Hamlet, que a Daniela já havia falado. Agora estou aqui para escrever do estilo de Marco Nanini na peça “O Bem Amado”, texto escrito pela Priscila tempos atrás.

Que figurino fantástico e criativo. Não existe a possibilidade de sair do teatro Cultura Artística, onde a peça está sendo encenada, sem reparar em cada detalhe das roupas utilizadas pelo ator. Simplesmente demais!

Os sapatos são o ponto forte do figurino. Sempre com salto e muito brilho; um show! Mas isso não significa que os ternos de Nanini na apresentação deixam a desejar. Pelo contrário. Sempre com um toque diferente, eles ajudam imensamente no desenrolar da história.

Aliás, fazendo um adendo, o cenário é outro fator que trás muita singularidade a peça e prende o espectador atento a tudo o que se passa no palco.

Uma ótima recomendação para aqueles que buscam o que fazer no final de semana…

Não lembra quando, onde está pasando a peça? Pois aí vai o aquele resuminho super útil para que possa dar uma conferida:

“O Bem Amado”
Teatro Cultura Artística, sala Esther Mesquita
R. Nestor Pestana, 196, Consolação - tel. 11/3258-3595.
Sex. e sáb.: 21h. Dom.: 18h. Até 27/7.
Valores: R$ 25 a R$ 100.

Lygia Haydée

Afinal, o que é revolução?

Retomando as reportagens sobre 1968 não podíamos deixar de falar sobre o espetáculo Roda Viva, que marcou aquele ano.

 

rv

 

Escrita por Chico Buarque e dirigida por José Celso Martinez Corrêa, em 1968, a peça Roda-Viva marcou o teatro brasileiro ao mexer com a platéia, provocá-la e escancarar os problemas da época. Apesar de alguns julgarem o texto “ingênuo”, a peça ficou conhecida como parte do “teatro de agressão”, muito criticado na época, mas que não deixava de lotar as apresentações. Durante a temporada de São Paulo, o teatro foi invadido, destruído e os atores sofreram agressões.

Em entrevista exclusiva, a atriz Margarida Baird, que fazia parte do coro, fala sobre a peça, a invasão do Teatro Ruth Escobar e as marcas deixadas por aquele momento.

Como surgiu a oportunidade para participar de Roda Viva?Margarida Baird - Eu sou carioca, na época namorava o Antonio Pedro e já fazia teatro. Antes de a peça vir pra cá eu já entrei no elenco para vir com ele. Na época eu usava o nome de Margot.

Você imaginava que a repercussão seria tão forte?

MB - Não tinha idéia. A gente sabia que estava fazendo alguma coisa muito diferente. Mas não tinha idéia da repercussão.

Diferente como?

MB - Por ser uma peça que mexia com a platéia. Não era uma coisa muito comum sacudir as pessoas, era uma coisa muito, digamos, revolucionária. O próprio Zé Celso depois dirigiu Galileu e ele achou que tava indo pra trás, que tava fazendo um teatro mais comportado.

E o que você achou da direção do Zé Celso em Roda Viva?

MB - Era um trabalho lindíssimo, fortíssimo, extremamente jovem, intenso. E realmente mexia, ele tava fazendo uma revolução na linguagem teatral. Tanto que uma vez em Paris eu encontrei uma atriz que era professora de teatro e ela disse que o melhor diretor de teatro era o Zé Celso que se mantinha vivo, mais do que Peter Brooke. Interessante, não é?!

Como costumava ser a reação da platéia durante o espetáculo?

MB - Era muito forte, tanto que teve a reação que teve [invasão e destruição do teatro pelo Comando de Caça aos Comunistas]. As pessoas ficavam chocadas, mas ao mesmo tempo elas gostavam dessa mexida, até por que era um sucesso extraordinário o espetáculo.

O que aconteceu no dia em que o teatro foi invadido?

MB - Foi um espetáculo lotado como sempre. Mas o Antonio Pedro, que fazia o anjo e o empresário, percebeu que não havia uma reação muito grande às piadas, o público normalmente reagia bem e nesse dia foi uma reação mais contida. E foi uma coisa muito rápida por que a gente mal saiu de cena já começou toda a quebradeira. Foi surpreendente e mal deu tempo da gente trocar de roupa. Foi rapidíssimo, pois eles estavam muito bem organizados, como a direita costuma estar sempre. Então, uma parte foi para os camarins e a outra parte quebrou o teatro.

Você notou algo diferente durante o espetáculo?

MB - Do público eu não notei tanta diferença, mas eles estavam na platéia e declararam isso. Mas depois o negócio foi bravo.  A gente ouviu um barulhão e achamos que estava havendo alguma coisa. O que me passou pela cabeça foi que como todos os rapazes ficavam juntos no camarim, parecia que todos estavam brigando. Então nós saímos dos nossos camarins para ver o que estava havendo, com as roupas de cena. E aí pronto, o caos estava instalado. Era muita gente, a pessoa que tirou a minha roupa e me agrediu era muito novo, devia ter minha idade ou menos.

 

Durante a confusão houve alguma distinção entre homens e mulheres?

MB - Sim. Fizeram todos os homens saírem do camarim e do teatro e nós, mulheres, eles atacaram mesmo. Eles quebraram tudo, machucaram as pessoas e foram embora. Foi rapidíssimo, mas parecia que tinha durado a vida inteira.

Você teve algum ferimento mais grave ou alguma seqüela?

MB - Não, físico, não. Eu fiquei sem roupa no meio do corredor, a minha calcinha estava estraçalhada quando eu a encontrei no meio dos destroços e eles apertaram o meu seio dizendo: “Isso é que é revolução! Isso é que é revolução!”.

Vocês receberam alguma justificativa após o ataque?

MB - Eles mesmos puseram no jornal que era uma reação à peça e se identificaram como o CCC [Comando de Caça aos Comunistas] e justificaram a invasão em cima disso.

Como você ficou depois disso tudo?

MB - Sofri horrores, morria de medo. Tinha muito medo de sair na rua, de chegar em casa. Eu tinha muito medo, fiquei apavorada.

Qual foi a reação da sua família?

MB - Eu morava no Rio, e minha família estava lá. Foi só aquilo: “Viu só, fica fazendo essas coisas, viu no que dá?” Mas eu era de esquerda, sim, como toda juventude pensante.

Como você definiria o clima cultural de 68?

MB - Era um clima extremamente fértil, que tinha muita esperança de que tava mudando o mundo. A gente achava que o que a gente estava fazendo estava realmente contribuindo para que o ser humano fosse um pouco melhor. Mas infelizmente não foi o que aconteceu.

Ainda existe esta fertilidade hoje?

MB - Eu acho que atualmente as pessoas estão preocupadíssimas em ganhar dinheiro, em consumir. Não existem mais utopias, a cultura está muito pobre, está tudo muito triste.

Para você, qual é a lembrança mais marcante da invasão do teatro?

MB - Para mim são várias, mas essa coisa de me atirarem no corredor, apertarem meu seio e dizerem que aquilo que era revolução, me chocou bastante. E ainda por ele [o agressor] ser muito jovem.

 Priscila Zuini

 

 

 

 

 

Publicado em: on Junho 20, 2008 at 11:10 pm Comentários (0)